Home | Notícias da Terra Santa | Activistas israelitas enfrentam colonos nas terras de Beit Sahour

Activistas israelitas enfrentam colonos nas terras de Beit Sahour

Activistas israelitas enfrentam colonos nas terras de Beit Sahour

15 de Agosto de 2026

Proprietários palestinianos e activistas israelitas, que tinham ido plantar árvores nas suas terras, foram alvo de disparos efectuados por colonos, na sexta-feira, 14 de Agosto, em Beit Sahour. Entre eles encontrava-se D. William Shomali, natural desta cidade cristã.

Uma escada encostada a uma velha casa de pedra. No topo, uma estrela de David e uma bandeira israelita. Mais abaixo, cerca de cinquenta homens e mulheres, palestinianos e israelitas. Depois, tiros. Na sexta-feira, 14 de Agosto, em Oush al-Ghrab, nas colinas a leste de Beit Sahour, a situação poderia ter acabado em tragédia. Ninguém ficou ferido. Mas as imagens mostram, uma vez mais, até que ponto a luta pela terra palestiniana se trava agora parcela a parcela, casa a casa, colina a colina.

Nessa manhã, activistas da Combatants for Peace responderam ao apelo de proprietários de Beit Sahour. As suas terras, situadas nas proximidades do posto avançado de Yatziv, são cada vez mais difíceis de alcançar e têm sido alvo de incursões de colonos. A organização israelo-palestiniana pretendia assegurar uma presença protectora, limpar os campos e plantar árvores. Um gesto pacífico e muito concreto: regressar à terra para mostrar que esta não está vazia nem abandonada.

Os activistas israelitas fizeram também questão de retirar os símbolos da ocupação colocados pelos colonos numa antiga construção palestiniana. Mal tinham chegado, colonos armados abriram fogo na sua direcção, segundo afirma a Combatants for Peace. O exército israelita interveio, não para afastar ou desarmar os atiradores, denuncia a associação, mas para expulsar os activistas, os jornalistas e os proprietários palestinianos. Os colonos, esses, puderam permanecer no local.

Entre os participantes encontrava-se D. William Shomali, vigário-geral do Patriarcado Latino de Jerusalém. A sua presença não era apenas a de um bispo que ali se deslocara para manifestar a sua solidariedade. Nascido em Beit Sahour, está ele próprio directamente envolvido: «Participei porque a minha família possui terrenos na zona. Quis manifestar a minha solidariedade plantando árvores», explicou a Andrea Krogmann, correspondente da agência católica alemã KNA.

Juntamente com Belém e Beit Jala, Beit Sahour constitui o coração histórico da presença cristã palestiniana na região. Estas três cidades, outrora quase inteiramente cristãs, conservam uma presença cristã significativa, apesar da emigração e das transformações demográficas.

Mas os disparos em Oush al-Ghrab não visavam os cristãos enquanto tais. Inserem-se numa violência crescente, que atinge os palestinianos, muçulmanos ou cristãos, em toda a Cisjordânia.

O exército israelita mostra-se incapaz de pôr termo a estes ataques, classificados pelo próprio embaixador norte-americano- apesar de ser «pró-colonização» — como «actos de terror». Um cristão palestiniano resume esta incompreensão com amarga ironia: «Despovoaram Rafah, Khan Younis, todo o norte de Gaza e todo o sul do Líbano, e não conseguem evacuar uma dezena de arruaceiros e duas tendas?» A formulação é brutal. Traduz o sentimento de que o poder militar mobilizado contra os palestinianos se torna subitamente impotente quando deveria impor a lei a colonos israelitas.

Apesar de algumas reacções indignadas em Israel, uma sondagem do Jewish People Policy Institute, publicada em 12 de Agosto, indica que 38% dos judeus israelitas inquiridos apoiam a anexação de toda a Cisjordânia, contra 35% que se declaram favoráveis a uma partilha.

Importa igualmente assinalar que 22% dos israelitas desejam que a anexação seja seguida da transferência da população árabe para outros países. Os activistas de Beit Sahour e de Qusra nadam, portanto, contra a corrente. A sua presença desfaz, pelo menos, a ilusão de um consentimento unânime.

Em Oush al-Ghrab, as árvores da paz não chegaram a ser plantadas.

Terre Sainte Magazine