
“A paz nasce no coração”. Leão XIV assinala 1.º ano de pontificado em Pompeia
08 maio, 2026
Na homilia da missa que celebrou neste Santuário, Leão XIV recordou que, há quase 25 anos, São João Paulo II proclamou o Ano do Rosário, colocando-o especialmente sob o olhar da Virgem de Pompeia.
O Papa Leão XIV esteve, esta sexta-feira, em Pompeia, no dia em que se assinala um ano desde que se viu fumo branco a erguer-se da chaminé da Capela Sistina.
“Tinha de vir aqui hoje, para colocar o meu serviço sob a proteção da Santíssima Virgem”, disse Leão XIV, esta manhã, no Santuário de Pompeia.
“Há exatamente um ano, quando me foi confiado o ministério de Sucessor de Pedro, era precisamente o dia da Súplica à Virgem do Santo Rosário de Pompeia. Por isso, tinha de vir aqui, para colocar o meu serviço sob a proteção da Santíssima Virgem”. Interrompido por aplausos dos fiéis, o Papa acrescentou: “Tendo posteriormente escolhido o nome de Leão, sigo os passos de Leão XIII, que, entre outros méritos, desenvolveu um amplo Magistério sobre o Santo Rosário”.
Na homilia da missa que celebrou neste Santuário, Leão XIV recordou que, há quase 25 anos, São João Paulo II proclamou o Ano do Rosário, colocando-o especialmente sob o olhar da Virgem de Pompeia. “Os tempos não melhoraram desde então. As guerras que ainda se travam em muitas regiões do mundo exigem um renovado empenho, não só económico e político, mas também espiritual e religioso. A paz nasce no coração”, disse.
Leão XIV recordou a iniciativa de João Paulo II que, em outubro de 1986, reuniu em Assis os líderes das principais religiões, convidando todos a rezar pela paz. E como, em diversas ocasiões, incluindo recentes, tanto o Papa Francisco como Leão XIV pediram aos fiéis de todo o mundo orações pela paz. “Não nos podemos resignar às imagens de morte que as notícias nos apresentam todos os dias. Deste Santuário, cuja fachada São Bartolo Longo concebeu como um monumento à paz, elevamos hoje a nossa oração com fé”, afirmou.
Sobre a importância do Rosário, o pontífice lembrou que gerações de fiéis foram moldadas e protegidas por esta oração, simples e popular, mas capaz de atingir patamares místicos e um tesouro da mais essencial teologia cristã. “Que é, de facto, mais essencial do que os mistérios de Cristo, do que o seu Santo Nome, pronunciado com a ternura da Virgem Mãe? É neste Nome, e em mais nenhum, que podemos ser salvos”, garantiu. Quando se reza o terço, “o nosso olhar dirige-se para as necessidades do mundo, propondo em particular duas intenções que permanecem de extrema relevância: a família, que sofre com o enfraquecimento do vínculo matrimonial, e a paz, ameaçada pelas tensões internacionais e por uma economia que prefere o comércio de armas ao respeito pela vida humana”, frisou.
O Santo Padre recordou aos milhares de fiéis e peregrinos o que Jesus disse: “a oração feita com fé pode obter tudo (cf. Mt 21,22)” e acrescentou que São Bartolo Longo (fundador deste santuário), ao pensar na fé de Maria, chamava-lhe “omnipotente pela graça”. Neste contexto, implorou: “Por sua intercessão, que o Deus da paz faça transbordar misericórdia, tocando os corações, acalmando o rancor e o ódio fratricida e iluminando aqueles que têm responsabilidades especiais no governo”.
Antes da celebração da missa, Leão XIV visitou, neste Santuário, um Centro de apoio a pessoas em necessidade e sem abrigo, ouviu alguns testemunhos e abençoou os presentes. “Irmãos e irmãs, sacerdotes, religiosos e religiosas, cônjuges que trabalham em lares familiares, educadores, voluntários, que este seja o projeto das vossas vidas: serem homens e mulheres de oração, refletirem, como espelhos claros e humildes, a luz que vem de Deus.” E, dirigindo-se aos doentes, acrescentou: “Eu rezo por vós e vós rezais pelo Papa e pelas suas intenções; a vossa oração sobe diretamente ao Céu! São Bartolo Longo dizia que quem propaga o Rosário é salvo, e vós estais certamente entre os mais poderosos propagadores desta bela oração.”
O Santo Padre terminou a celebração com uma Súplica à Virgem, uma oração tradicional deste santuário, juntamente com os 40 mil fiéis presentes.
Leão XIV almoça em Pompeia e, durante a tarde, visita Nápoles para encontros com cidadãos, autoridades e representantes da comunidade católica desta cidade italiana.
Aura Miguel – RR
Fotografia: Cesare Abbate/EPA