
Oração pela paz na Terra Santa: um dia de súplica e jejum
O silêncio que um dia testemunhou a encarnação do Verbo de Deus em Nazaré, hoje é testemunha das súplicas e do clamor da comunidade religiosa local que se reuniu na Basílica da Anunciação, na sexta-feira dia 13 de março, em um dia de oração e de jejum pela paz e pelo povo que sofre.
Então, nesse dia é uma grande oportunidade que a gente tem de aqui no santuário, também como comunidade Shalom, estarmos unidos à Igreja e juntos nós suplicarmos a intercessão de Nossa Senhora, Rainha da Paz, pela paz nesse lugar, pela paz nos corações. Acredito que nós, como missionários aqui na Terra Santa, temos o desafio e a graça de tocar o sofrimento das famílias, das crianças, dos jovens, nesse lugar, de uma forma muito concreta, muito encarnada. E isso nos faz buscar sofrer com os que sofrem, chorar com os que choram, mas também nos dá a missão de anunciar que nós temos uma resposta. Como cristãos, nós temos a resposta do Evangelho, Cristo é a nossa paz, nós precisamos experimentar isso, encarnar, viver e anunciar com a nossa vida, com as nossas palavras e com a nossa oração, que essa resposta traz a paz, é possível viver em paz, mesmo no meio da guerra, porque Ele é a nossa paz. Os barulhos do medo, das sirenes, e dos ataques são evidenciados pelo vazio das ruas, pelas escolas fechadas, pela ausência de peregrinos, pelo comércio deserto e pelas celebrações sem a comunidade presente que já vivencia essa realidade há mais de dois anos. O cansaço adquirido por todo esse tempo de conflitos e de não resoluções é transformado em necessidade de se ter esperança em Deus que aqui em Nazaré trouxe a esperança da salvação para todo o mundo e de não deixar que sejam cessadas as orações. S.E. Dom RAFIQ NAHRA Vigário Patriarcal Latino em Israel A esperança não é otimismo. Muitas vezes confundimos esperança com otimismo. Há pessoas que têm um temperamento otimista. Essas pessoas, quando passam por períodos longos e difíceis, acabam por ver o seu otimismo terminar. A esperança, ao contrário, pode estar no coração mesmo quando não sentimos nada. A esperança está fundamentada em algo que nunca muda, nossa esperança está fundamentada no fato de eu saber que Deus está comigo, mesmo que eu não sinta nada. Em momentos de guerra, em momentos de solidão, em momentos de sofrimento, a provação é verdadeira. E encontramos isso nos Salmos: quando abrimos os Salmos e os lemos, percebemos que estão repletos de orações como “Senhor, o meu coração treme dentro de mim” “estou sozinho” “sinto-me abandonado, onde estás, Deus?.'” E depois, após estas orações, no mesmo salmo, ele quase sempre termina com uma palavra de esperança. Porque, através da oração, permanecendo com Deus, há algo dentro de nós que renasce, essa esperança no coração que nos permite seguir em frente. E há algo mais: Se querem reencontrar a esperança, deem esperança aos outros. Quando dou esperança e luz para alguém que está nas trevas, a luz nasce no meu coração e isso me faz feliz.
LORENA GADELHA Comunidade Shalom – CMC