Jerusalém, 1 de janeiro de 2026 – Patriarcado Latino
Nm 6,22-27; Gal 4,4-7; Lc 2,16-21

Irmãos e irmãs,
Feliz Ano Novo!
No início do ano de 2026, a 1 de janeiro, Sua Beatitude o Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, presidiu à Santa Missa da Solenidade de Maria, Mãe de Deus, e do 59.º Dia Mundial da Paz, na Con-Catedral do Patriarcado Latino, em Jerusalém.
A Missa foi concelebrada por Mons. William Shomali, Vigário-Geral do Patriarcado Latino, por Mons. Adolfo Tito Yllana, Núncio Apostólico na Terra Santa, por Mons. Bolous Marcuzzo e por Mons. Ilario Antoniazzi, juntamente com vários sacerdotes. A celebração contou com a presença do Cônsul de Espanha, de representantes dos Consulados de França e de Itália, bem como de numerosos Cavaleiros e Damas da Ordem do Santo Sepulcro, religiosas e fiéis de Jerusalém.
O Dia Mundial da Paz, celebrado todos os anos a 1 de janeiro, é uma jornada litúrgica anual instituída pelo Papa Paulo VI em 1967, dedicada à oração e à reflexão sobre os caminhos e métodos para construir a paz no mundo. «Rumo a uma paz “desarmada e desarmante”» é o tema escolhido pelo Papa Leão XIV para este 59.º Dia Mundial da Paz, que remete para a violência recentemente testemunhada em várias partes do mundo, sublinhando que a verdadeira paz não nasce da violência, mas de Deus, que nos ama a todos incondicionalmente, através da paz de Cristo Ressuscitado.
“Theotókos”: a revelação de um método divino
Reflectindo sobre a Solenidade de Maria, Mãe de Deus, e o Dia Mundial da Paz, o Cardeal Pizzaballa sublinhou, na sua homilia, que as duas celebrações estão inseparavelmente ligadas, afirmando que «Maria é a raiz da paz porque trouxe ao mundo o seu Príncipe, Aquele que é a nossa paz». Explicou que começar o novo ano com Maria significa escolher «não o cálculo, mas o acolhimento; não o medo, mas a confiança», seguindo o humilde «sim» através do qual Deus entrou na história humana.
Comentando o Evangelho, o Patriarca destacou a atitude interior de Maria de «guardar e meditar», apresentando-a como o fundamento de uma paz autêntica num mundo marcado pela pressa, pelo ruído e pela violência. «Maria ensina-nos que não há paz exterior sem esta paciência interior, sem esta “gestação” espiritual dos acontecimentos à luz de Deus», afirmou.
Referindo-se ao título de Theotókos, Mãe de Deus, proclamado pelo Concílio de Éfeso, observou que este é «a revelação de um método divino», descrevendo a Mãe de Deus como «o lugar teológico onde compreendemos como Deus deseja agir».
A paz, explicou, «não desce do alto como um milagre mágico que elimina as contradições; ela brota lentamente, como uma semente, do terreno fértil de um coração que diz “eis-me aqui”, que se torna espaço, que se torna disponível».
— Card. Pizzaballa
Reflectindo sobre a bênção sacerdotal do Livro dos Números, o Patriarca afirmou que a paz «não é a ausência de problemas ou de conflitos», mas «a presença do Rosto de Deus», que em Jesus vem ao encontro da nossa humanidade e resplandece nas nossas trevas. Convidou os fiéis a tornarem-se, como Maria, «reflexos», «guardiões» e «mediadores» da luz de Deus, num mundo marcado por feridas, medos e um profundo anseio de esperança.
«Mesmo neste novo continente digital, o método continua a ser mariano»
Alargando este apelo às realidades contemporâneas, o Cardeal Pizzaballa recordou aos fiéis que «a tecnologia é sempre uma extensão do coração humano». Exortou-os a tornarem-se «artífices da paz» também no mundo digital, salvaguardando a dignidade humana e servindo a verdade com caridade. Referindo-se à guerra recente, observou que os espaços digitais se tornaram frequentemente instrumentos de manipulação, divisão, vigilância opressiva e novas formas de solidão; contudo, os cristãos são chamados a transformá-los em lugares de encontro, de comunicação responsável e de construção da paz, utilizando cada palavra partilhada e cada escolha feita online como um acto ético ao serviço do bem comum.
Um caminho mariano para o novo ano
Concluindo a sua homilia, o Cardeal Pizzaballa convidou os fiéis a assumir três atitudes essenciais — «guardar, meditar e acolher» — como antídoto contra a violência e como método concreto para a construção da paz. Colocando o novo ano sob a protecção materna de Maria, Mãe de Deus, rezou para que o rosto de Deus resplandeça sobre todas as famílias e comunidades, sobre a Terra Santa ferida mas amada, e sobre um mundo sedento de esperança, invocando «uma paz que nasce do coração de Deus, passa pelo coração de uma Mãe e é confiada às nossas mãos e aos nossos corações de filhos».
No final da Missa, Sua Beatitude saudou todos os fiéis no Diwan do Patriarcado Latino, desejando-lhes um Ano Novo feliz e abençoado!
LPJ