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D. Rui Valério: “A paz não é uma opção diplomática, é a urgência de Deus”

01 jan, 2026

O Patriarca de Lisboa exortou os políticos a olhar para o drama da guerra sob o ponto de vista de Deus, durante a homília da missa celebrada esta quinta-feira, no Dia Mundial da Paz.

O Patriarca de Lisboa alertou, neste primeiro dia do ano, para o esgotamento dos atuais modelos sócio-políticos para alcançar a paz. “Durante décadas, olhámos para a paz com as lentes da política. Assinámos tratados em papéis que o vento da ambição rapidamente desfez e falámos de paz como se ela fosse apenas uma ausência de conflito ou um intervalo entre guerras. Hoje, essa abordagem esgotou-se”, declarou.

Na homilia da missa, celebrada no Dia Mundial da Paz, D. Rui Valério sublinhou a urgência de olhar para o drama da guerra sob o ponto de vista de Deus. “A paz não pode esperar mais, pois o grito e o sangue dos inocentes clamam da terra ao céu. Alguém tem de os escutar”, destacou. O Patriarca propõe a adopção de uma via teológica para pôr fim aos conflitos. “Chegou a hora da perspetiva teológica, a partir do ponto de vista de Deus. A paz não é uma opção diplomática, é a urgência de Deus”.

Durante a missa celebrada na Igreja dos Pastorinhos, em Alverca, D. Rui Valério defendeu ainda que a paz nasce quando se dá vida às palavras.“A paz nasce exatamente aqui, quando as palavras se tornam vida, quando as intenções se tornam atos, quando os desejos se tornam compromissos. Tal como o Verbo se fez carne, também a paz, para ser verdadeira, tem de ser encarnada, situada no tempo, inscrita no espaço, traduzida em gestos verificáveis.”

Na sua mensagem, Dom Rui Valério critica também o que chamou de uma paz fantasma promovida pelas diplomacias ocas: “Sem gestos que se toquem, sem passos que se deem ao encontro um do outro, a paz é apenas um fantasma que deambula pelos corredores das chancelarias e das diplomacias ocas”.

RR – • Miguel Marques Ribeiro