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Missa da Primeira Quinta-feira de Dezembro celebrada em Lisboa e Coimbra

Lisboa – Missa da Primeira Quinta-feira de Dezembro

Realizou-se no passado dia 4 de Dezembro, na Igreja de Santo Condestável em Lisboa, a tradicional Missa de Primeira Quinta-feira do mês da nossa Lugar-Tenência. Presidiu à Santa Missa o nosso confrade, Rev. Padre Luis Almeida, cuja homilía, sempre tão do agrado de quem o escuta, (abaixo descrita). Estiveram presentes S. Exª o Lugar-Tenente, acompanhado por dois Lugar-Tenentes de Honra e perto de vinte cavaleiros, Damas e amigos da nossa Ordem.Finda a Santa Missa todos rezaram em conjunto a Oração dos Cavaleiros e Damas da O.C.S.S.J.

Irmãos e irmãs,

As leituras proclamadas na Liturgia de hoje oferecem-nos duas imagens fortes e complementares: a cidade fortificada construída por Deus, vista e anunciada pelo profeta Isaías; e a casa edificada sobre a rocha que, no Evangelho, Jesus usa para falar da nossa relação com Ele. Ambas descrevem uma mesma realidade espiritual: uma vida fundada na união indestrutível entre a fé e o amor, porque só essa união resiste ao tempo, às tempestades, às crises e às provações que não faltam na história e na vida espiritual.

Isaías proclama: “Nós temos uma cidade forte; muralhas e fortificações foram postas para nos proteger.” O profeta dá por descontado que entendemos que não é o povo que ergue esta cidade, mas o próprio Deus que a edificou, a fortaleceu e a sustenta. Esta cidade fortificada que habitamos é a fé. A fé recebida diretamente de Deus e a que nos foi anunciada e ensinada pela Santa Igreja. Esta fé não é obra nossa, mas dom recebido e iniciativa divina. Dom que nos chega diretamente d’Ele pela mediação da Igreja e dos irmãos. Por isto mesmo, este dom pede resposta: “Abri as portas para que entre um povo justo, um povo que pratica a fidelidade.” À fé une-se sempre a caridade. A cidade é forte porque é acolhedora e as suas muralhas são firmes porque se abrem ao povo. A fidelidade à fé e à caridade tornam-se, assim, o verdadeiro e único acesso à comunhão com Deus.

Jesus leva esta visão de Isaías ainda mais a fundo. A rocha que edifica a cidade não é apenas ouvir a Palavra, mas pô-la em prática. É aqui que o Evangelho nos confronta com grande lucidez espiritual: não basta dizer “Senhor, Senhor”, não basta a ortodoxia do discurso, mas é necessária também a ortopraxia da vida. A fé, quando é verdadeira, e exatamente porque é verdadeira, manifesta-se em amor. Quando tal não acontece, a fé é simplesmente areia.

Toda a tradição cristã reconhece esta verdade. A casa construída sobre a rocha é a vida onde fé e amor coincidem: uma fé que pensa, reconhece e adora; um amor que serve, permanece e sustém. Se uma destas duas dimensões falta, a construção da nossa vida espiritual desaba: a fé sem amor torna-se ideologia religiosa e o amor sem a fé degenera em ativismo vazio. Somente unidas, estas duas virtudes tornam a nossa vida numa cidade inacessível aos inimigos, usando ainda a imagem de Isaías. Sobre isto, Santo Inácio de Antioquia, numa das suas sete cartas antes do martírio, usa uma expressão e esclarecedora: “A fé é o princípio e o amor é o fim; e ambos, unidos, são de Deus”. Ou seja, estas duas realidades estão de tal forma unidas que não se pode destruir essa unidade sem o risco certo de fazer cair a cidade.

Este é então o ponto teológico decisivo: como nos ensina a Revelação, ter fé não é só acreditar que Deus existe, mas confiar n’Ele com tal força que a vida se reorganiza segundo a Sua vontade; e o Amor não é um sentimento piedoso, mas adesão concreta ao Bem e entrega efetiva aos irmãos.

A fé que não se torna amor, não é fé; o Amor que não nasce da fé, não é cristão. É esta a rocha firme. É aqui que se joga a autenticidade e a fortaleza da nossa vida espiritual.

Vivemos há poucos dias a bela celebração de novas investiduras da Ordem do Santo Sepulcro. Foi uma oportunidade de Deus nos recordar que o voto que fazemos enquanto cavaleiros é acima de tudo um compromisso a construir interiormente a cidade fortificada de Isaías e exteriormente a casa fundada sobre rocha da caridade operativa que fala Jesus. Um compromisso de assumir que a fé se prolonga no amor concreto: amor à Terra Santa, não apenas romântico, mas real, com os seus sofrimentos e as suas esperanças; amor à Igreja de Jerusalém, guardando-lhe a memória viva e o futuro possível; amor ao próprio Evangelho, recebido como forma de vida e critério fundamental de discernimento das próprias escolhas; amor aos mais frágeis, porque a cidade fortificada de Deus tem portas abertas aos que entram cansados.

Irmãos e irmãs, a vida cristã sólida nasce precisamente da união entre a confessio fidei e o servitium caritatis, a confissão da fé no Cristo morto e ressuscitado e o serviço generoso ao seu Corpo vivo por quem ele deu a vida. A cruz vermelha que trazemos nas insígnias é símbolo eloquente disto mesmo: é o lugar onde fé e amor se entrelaçam de modo definitivo no sangue que se oferece pela multidão, para a remissão dos pecados.

Certamente que nos fica então esta interpelação neste Advento: sobre que fundamento estamos a construir a vida? Somente uma vida em que a Palavra se torna gesto, a fé se torna cuidado e o amor se torna fidelidade pode edificar uma cidade forte, de muralhas inexpugnáveis, edificada sobre a rocha firme que resiste à tempestade.

A Eucaristia que celebramos é o ponto mais alto desta união de fé e caridade. Nela, Cristo não só nos fala na Sua Palavra, mas entrega-se como Amor no Seu Corpo e Sangue oferecidos a nós e por nós.  Que o Senhor, ao aproximarmo-nos do Seu altar, encontre em nós não apenas a voz que diz “Senhor, Senhor”, mas o coração disposto a edificar com Ele. Recebamos, pois, este dom e peçamos a graça de viver o Evangelho num coração unificado: “Nós temos uma cidade forte; muralhas e fortificações foram postas para nos proteger.”

SLNSJC

Coimbra – Missa da Primeira Quinta-feira de Dezembro

Tal como anunciado e habitualmente sucede, reuniu-se no CPIL – Centro Pastoral Irmã Lúcia, em Coimbra, a maioria dos elementos locais, desta Sagrada Milícia, a fim de ser dado cumprimento à nossa devoção correspondente.

Presidiu à celebração o respectivo Reitor e Cerimoniário Eclesiástico Adjunto, o nosso Cav. Rev. Pe. Francisco Prior Claro. 

Como sempre, nestas celebrações da OCSSJ, o local estava pleno de Fiéis e o Altar ladeado pela bandeira da Secção Centro e pela do Vaticano. 

À Homilia, o Celebrante traçou um paralelismo entre as Leituras do dia e o escopo da nossa Ordem, fazendo ainda a ligação entre o espírito que presidiu à recente Peregrinação Jubilar a Roma e às Investiduras do passado fim de semana.

Como de costume, a Leitura foi assegurada por um Cavaleiro da Ordem e no final o Celebrante convidou o Chanceler do Conselho da Lugar-Tenência, que se encontrava