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A Presença Cristã na Terra Santa Está a Ser Sufocada de Todos os Lados

A presença cristã na Terra Santa está a ser sufocada de todos os lados

A questão central, portanto, não é simplesmente se o cristianismo conseguirá sobreviver na Terra Santa. É saber se a comunidade internacional aceitará um futuro em que as antigas comunidades cristãs da região subsistam apenas como monumentos, enquanto as pessoas que deram a esses lugares o seu significado vivo são gradualmente forçadas a partir.

(ZENIT News / Jerusalém, 22.07.2026) – Na Terra Santa, a crise que afecta os cristãos já não se limita a um único campo de batalha, a uma única disputa política ou a um único acto de violência. Está a desenrolar-se simultaneamente através da insegurança, do deslocamento de populações, da pressão económica, da incerteza jurídica e da lenta erosão das condições que permitem às comunidades permanecer enraizadas na terra onde o cristianismo nasceu.

Em Taybeh, a última cidade palestiniana inteiramente cristã da Cisjordânia, o receio mais imediato é de natureza física. O pároco, Padre Bashar Fawadleh, afirma que colonos israelitas têm vindo a construir o que as testemunhas descrevem como um novo posto avançado em Jabal Al-Massis, uma área pertencente à localidade. O local situa-se na Área B, de acordo com os Acordos de Oslo, onde a administração civil é da responsabilidade da Autoridade Palestiniana e as questões de segurança são partilhadas com as autoridades israelitas.

Para os habitantes de Taybeh, a preocupação não se resume ao aparecimento de novas construções numa colina distante. O sacerdote alerta que um posto avançado situado a pouca distância das habitações poderá tornar o quotidiano mais perigoso, intimidar as crianças e desencorajar os agricultores de acederem às suas terras e explorações avícolas. Descreve um sentimento crescente de receio de que a comunidade venha a ser gradualmente cercada e pressionada a abandonar a sua terra.

Este alerta surge cerca de um ano depois de incêndios provocados nas proximidades do cemitério da vila e da antiga Igreja de São Jorge.

Apesar da ansiedade persistente, a comunidade cristã procura preservar a normalidade da vida quotidiana. Um campo de férias de verão que reúne 161 crianças juntou jovens das comunidades greco-ortodoxacatólica melquita e católica latina da localidade.

Essa imagem — crianças num campo de férias enquanto os adultos receiam que as suas terras sejam tomadas ou que a sua comunidade seja levada ao declínio — resume a luta mais ampla do cristianismo na região. O desafio não consiste apenas em sobreviver à violência. Consiste em manter as instituições, as famílias e as condições sociais que tornam possível uma presença cristã permanente.

Em Jerusalém, trava-se outra batalha, desta vez no plano fiscal. Um litígio relacionado com o imposto municipal sobre propriedades, conhecido como Arnona, levantou receios entre os líderes cristãos de que as isenções fiscais de longa data possam ser postas em causa, com consequências para igrejas, escolas, hospitais, centros sociais e instituições de solidariedade.

O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, apelou ao Papa Leão XIV e a outros líderes internacionais, defendendo que os direitos históricos e os acordos que protegem as instituições da Igreja devem ser preservados.

A questão remonta a mais de um século. Os responsáveis das Igrejas apontam para os Acordos de Mitilene, de 1901, e para outros entendimentos históricos cujas disposições fiscais foram respeitadas durante o Mandato Britânico e que, segundo o bispo auxiliar do Patriarcado Latino de JerusalémD. William Shomali, nunca foram formalmente revogados após a independência de Israel, em 1948.

O litígio arrasta-se há cerca de três décadas. Em 2018, os líderes cristãos encerraram as portas da Basílica do Santo Sepulcro em sinal de protesto contra uma disputa semelhante. A actual controvérsia poderá envolver reclamações no valor de milhões de euros, caso actividades comerciais venham a ser tributadas retroactivamente relativamente aos últimos trinta anos.

A posição da Igreja, contudo, não é a de que toda e qualquer actividade ligada a uma instituição eclesiástica deva ficar automaticamente isenta de todas as obrigações municipais. D. William Shomali propôs antes uma distinção entre actividades verdadeiramente lucrativas e instituições cuja finalidade principal seja religiosa, educativa ou caritativa. As empresas de carácter comercial poderiam contribuir para os serviços municipais de que beneficiam, enquanto os locais de culto, os cemitérios, as instalações paroquiais, as escolas, os hospitais e as instituições de solidariedade social manteriam as isenções tradicionais.

Esta distinção é fundamental, porque a presença da Igreja na Terra Santa não se limita à liturgia. As suas instituições prestam serviços de educação, cuidados de saúde, assistência social e acolhimento a pessoas muito para além da comunidade cristã. Assim, uma política fiscal que não distinga entre uma actividade comercial e uma instituição de beneficência poderá afectar não apenas os cristãos, mas também a população em geral que beneficia dos serviços prestados por essas instituições.

A pressão faz-se igualmente sentir na vida do clero e dos fiéis. O Padre Joseph Hoina, sacerdote camaronês dedicado ao acompanhamento pastoral de migrantes e requerentes de asilo em Jafa, descreve comunidades cristãs a debater-se com a guerra, o colapso económico, as restrições às deslocações e a perda de emprego. Em várias zonas da Cisjordânia e de Jerusalém, famílias perderam os seus meios de subsistência, crianças ficaram privadas de frequentar a escola e alguns agregados familiares mal conseguem satisfazer as necessidades mais básicas.

Para os cristãos, esta crise possui também uma dimensão especificamente espiritual. Em muitos casos, os sacerdotes não conseguem chegar às comunidades para celebrar a Eucaristia. Nas palavras do Padre Hoina, a impossibilidade de participar na Eucaristia transforma-se numa forma de fome espiritual.

Todavia, a resposta da Igreja não é o recuo. Na Igreja de São Pedro, em Jafa, migrantes oriundos das Filipinas, da Índia, da Eritreia, da Etiópia, da China e de outros países reúnem-se para a celebração litúrgica e para o acompanhamento pastoral. A igreja torna-se, na prática, uma família transnacional para pessoas que fugiram da guerra, da pobreza ou da perseguição. As refeições, os cânticos e as tradições partilhadas após as celebrações litúrgicas ajudam estes migrantes a recuperar algo que o desenraizamento frequentemente destrói: o sentimento de que continuam a pertencer a algum lugar.

Trata-se de uma expressão particularmente forte da missão da Igreja numa região onde as fronteiras políticas, as divisões étnicas e as linhas da frente militares procuraram repetidamente determinar quem pertence e quem não pertence. A presença cristã sobrevive não apenas nas pedras antiquíssimas dos lugares santos, mas também nas comunidades que continuam a acolher aqueles que muitos considerariam estrangeiros.

O panorama político oferece poucos motivos para optimismo. No Líbano, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que aldeias cristãs, cuja identidade não especificou, teriam pedido para ser anexadas por Israel, alegando que este país as protegia do Hezbollah. As autoridades libanesas e os representantes das comunidades cristãs locais rejeitaram categoricamente essa afirmação. Segundo os críticos, as comunidades cristãs do sul do Líbano não desejam a anexação; desejam antes a paz, a segurança e a liberdade de permanecer nas suas aldeias, cultivar as suas terras e evitar ser arrastadas para a guerra.

Zenit.org