
Patriarca publica Carta Pastoral para renovar missão da diocese
Lisboa, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O Patriarca de Lisboa publicou hoje uma Carta Pastoral que exige a renovação profunda das comunidades católicas, criticando o clericalismo e a inércia nas comunidades católicas.
“Precisamos de ir às ‘periferias existenciais’, onde há sede de Deus, mesmo quando não é consciente. Pensemos nos jovens desiludidos, nos lares feridos, nos pobres materiais e espirituais, nos migrantes, nos doentes e nos que estão sós”, escreve D. Rui Valério, num texto enviado à Agência ECCLESIA.
O documento, intitulado “Levanta-te, Igreja de Lisboa, e resplandece em Cristo”, foi assinado na Sé durante a Eucaristia do Domingo de Páscoa e convida a diocese a encontrar as respostas necessárias para ser uma “Igreja em missão”, atenta às necessidades da humanidade.
D. Rui Valério sublinha a urgência de a Igreja de Lisboa “sacudir o pó da inércia” e “Superar o clericalismo – que é uma caricatura do ministério – bem como o activismo vazio, o formalismo e as liturgias desligadas da vida”.
Num diagnóstico da realidade contemporânea, o patriarca de Lisboa identifica o “drama da guerra”, a “precariedade económica”, a “crise da habitação” e o “flagelo da solidão” como sinais de desolação.
“Neste contexto, identificamos frequentemente formas de ‘analfabetismo humano e espiritual’, que se manifestam na perda de sentido para a vida, na fragilidade dos vínculos e na ignorância dos fundamentos da fé’”, acrescentou.
O documento propõe o regresso à “centralidade da Eucaristia” e à “escuta da Palavra de Deus” como alicerces de mudança para comunidades que sofrem de “cansaço pastoral”.
A dedicação aos mais fragilizados assume um papel central no plano pastoral, recusando uma perspectiva meramente assistencialista da caridade.
“Servir os pobres não é um apêndice da vida cristã, nem apenas uma tarefa social ou de beneficência: é o lugar do encontro real com Cristo, que Se identificou com os mais pequeninos”, sustenta D. Rui Valério.
O Patriarca apresenta a pobreza de forma ampla – material, social, cultural, moral e espiritual – e pede que a Igreja esteja “particularmente próxima” dos feridos da vida.
A primeira entrega do documento reuniu diversas realidades da diocese, incluindo um autarca, uma família, um jovem, um migrante, um doente e uma pessoa em situação de sem-abrigo.
No encerramento da missiva, D. Rui Valério convoca toda a diocese para “grande recomeço espiritual e pastoral”.
O horizonte de execução destas prioridades estende-se até ao ano 2033, data em que o mundo católico assinala os dois mil anos da Redenção, evocando os frutos do Jubileu de 2025, dedicado ao tema da esperança.
Ecclesia
Fotografia: Duarte de Mourão Nunes/Patriarcado de Lisboa